Trabalhar e Amamentar, só basta apoiar! Uma reflexão

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“A prática da defesa do aleitamento materno exclusivo defende o Apoio e a Orientação às mães como ações facilitadoras para que o ato de amamentar seja pleno e eficaz. Como ação puramente biológica, cada vez mais se preconiza a importância do exercício destas duas ações, afastando as soluções criadas através de produtos que venham a auxiliar a amamentação, dentre elas, as bombas para extração de leite materno excedente.

O natural, o ideal, é que as mães sejam orientadas a fazerem a ordenha manual, de acordo com a norma técnica do Ministério da Saúde (MS), que beneficia o alívio das mamas e a continuidade do aleitamento, principalmente nos primeiros seis meses de vida do bebê e a preservação do aleitamento no maior tempo que for possível para as mães trabalhadoras, especialmente.

O Brasil conta hoje com um tempo de licença maternidade, para o setor privado, de quatro meses. Segundo o senso do IBGE de 2012, a população feminina com carteira de trabalho assinada no setor privado cresceu 9,8 pontos percentuais (de 34,7% em 2003 para 44,5% em 2012).

A Lei de proteção à amamentação na volta ao trabalho, beneficia a mulher que amamenta e seu bebê até os seis meses de aleitamento exclusivo de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), ou seja, voltando de licença maternidade aos quatro meses, a mulher tem apenas dentro dos dois meses permitidos – dois períodos de 15(quinze) minutos para a amamentação, que podem ser negociados de duas formas:

  • Dois períodos no dia de 15 minutos de pausa para aliviar as mamas, extraindo o leite e armazenando para a alimentação posterior do seu bebê;
  • Um período de 30 minutos que pode ser combinado na entrada, saída ou no horário de almoço da mãe.

Das 12 mil empresas cadastradas no “Empresa Cidadã”, iniciativa do Ministério da Saúde que incentiva a ampliação da licença-maternidade de quatro para seis meses, apenas 80 oferecem Salas de Amamentação em todo o país. Em nossa comunidade virtual de apoio à mãe, AMS Brasil, no nosso grupo de apoio de volta ao trabalho com quase 5 mil mulheres, todos os dias, leio centenas de histórias de superação.

A maior delas, talvez, é o engenhoso esforço de ordenha, armazenamento e proteção do aleitamento exclusivo para além dos seis meses! São mulheres guerreiras que às vezes, em 15 minutos, conseguem garantir o leite dos seus bebês esvaziando as suas mamas muitas vezes em banheiros e até dentro dos seus carros…. Se em 15 minutos é quase um desafio impossível de extrair leite com a bomba, que dirá manualmente? O movimento pretende alcançar estas mães… as que precisam de apoio real para continuarem amamentando e que precisam voltar ao trabalho por razões muito justas.

Mães que todos os dias, encontram muitas vezes no uso da bomba extratora,  a alternativa para protegerem a amamentação dos seus filhos. São estas mães que estão nas empresas,  com uma carga horária que torna impossível até durante o dia,  aliviarem as mamas da ausência de sucção dos seus bebês por longas horas…. Queremos que estas mães se identifiquem com o movimento,  que se sintam acolhidas, e que se juntem ao movimento para que todas juntas, possamos mudar esta realidade!

A Logo deste ano é na verdade, um Protesto Subliminar. Não é possível apoiar e proteger a amamentação, um gesto singular e tão precioso para os bebês, desta forma: mulheres melindradas, sem tempo suficiente e espaço respeitoso para extração do leite materno; muitas delas com o uso de uma bomba extratora que depreende manejo, e sendo mecânica, tem seus riscos; mas com calma, concentração e sem pressão – principalmente sob uma vergonhosa licença que obriga à uma separação tão precoce dos seus pequeninos bebês….

Por isso queremos mais! Queremos principalmente conscientizar a sociedade de que o bebê  merece tempo digno e apoio de toda  a sociedade para que se desenvolva e para que se alimente da melhor forma e com o melhor alimento, garantindo assim, uma qualidade de vida e de saúde e, para que tenha sua mãe acessível neste primeiro momento único e crucial para o seu desenvolvimento pleno.

Nossa luta continua sendo pelo aleitamento natural exclusivo: sem utensílios e sem soluções artificiais, mas principalmente com reconhecimento do papel indispensável das mães na formação de todos os nossos bebês, prioritariamente nos seus primeiros anos de vida.

As mães só precisam de duas coisas: APOIO e RECONHECIMENTO.

Simone De Carvalho

Facilitadora do Evento Nacional “Hora do Mamaço” para o Brasil/Mundo

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